A Rede de Inteligência em Agricultura e Clima (RIAC) reuniu-se no dia 10 de março, no Insper Agro Global, em São Paulo, em um encontro que marcou um novo ciclo da aliança. Na ocasião, Fernando Sampaio foi anunciado como secretário-executivo da rede. Engenheiro agrônomo e ex-diretor de sustentabilidade da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Sampaio chega para dar mais estrutura operacional à iniciativa, em um momento em que a RIAC ganha protagonismo crescente no debate agroclimático brasileiro e internacional. Além do anúncio, o encontro teve como objetivo central iniciar a discussão sobre a governança da rede e o planejamento de suas atividades para 2026.
Com a presença de representantes das instituições integrantes — Agroicone, FDC Agroambiental, FGV Agro, Insper Agro Global, Insper Metricis, Instituto Equilíbrio e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) —, o evento representa o capítulo mais recente de uma trajetória que vem ganhando densidade desde o lançamento formal da aliança, em outubro de 2025.
Criada com o objetivo de orientar políticas públicas e qualificar o debate sobre a transição para a Agricultura Tropical Regenerativa (ATR), a RIAC se apresenta como uma aliança independente e suprapartidária. Seu foco é articular propostas técnicas, científicas e financeiras em torno de um modelo de produção que combina restauração da saúde do solo, uso eficiente de insumos, práticas de baixo carbono e proteção da biodiversidade — um caminho que busca conciliar produtividade, rentabilidade para os agricultores e mitigação das mudanças climáticas.
A rede ganhou visibilidade internacional durante a COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025. No painel “O papel da agricultura tropical regenerativa para a agenda climática”, as instituições da RIAC apresentaram suas agendas de pesquisa e discutiram o papel da aliança na consolidação do tema nas negociações climáticas globais. O Insper Agro Global foi representado pela pesquisadora e professora Gabriela Mota da Cruz, que reforçou a importância de dados capazes de refletir a realidade das agriculturas tropicais para orientar políticas públicas e investimentos. O diálogo foi mediado por Daniel Parreiras, da FDC, e contou com a participação de Ludmila Rattis (FDC/Ipam), Talita Pinto (FGV Agro), Rodrigo Lima (Agroicone) e Eduardo Bastos (Instituto Equilíbrio). Na ocasião, a RIAC também entregou estudos à presidência da COP30, representada por André Corrêa do Lago.
Com um secretário-executivo definido e uma agenda para 2026 em construção, a rede avança na estruturação de sua governança — passo fundamental para transformar o alinhamento científico entre as instituições em propostas concretas de políticas e práticas para a agricultura tropical.
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